domingo, 28 de outubro de 2007

Trechos do Capítulo 9: "Tarô Mítico"



Interessante notar que, este capítulo, o nono, foi o mais chato e difícil de se escrever, dentre todos - não nego. Tanto é que levei quase um mês para escrever essas 8 páginas (de A4, no caso). Findado às 3h30 da madruga.
Por outro lado, ao meu ver, é bem provável que se torne um dos mais agradáveis e interessantes na leitura. É um capítulo ambíguo, cheio de dualidades ditas por Carmecita Rosa-dos-Ventos que poderá deixar um leitor mais desatento a 'ver navios'. Segue abaixo trechos deste capítulo:

[...]
- Qual a função exata de um Tarô? – indagou Verne, sereno.
- O Tarô compreende 78 cartas, que se dividem em 22 Arcanos Maiores e 56 Arcanos Menores. Cada carta do Tarô apresenta um conjunto de imagens e figuras, com significados que se interligam e conversam entre si. – a vidente sorria, sutilmente, enquanto fitava Verne. – O Tarô é um instrumento que nos permite analisar, meditar e refletir sobre nosso passado, presente e futuro, através de seu sistema de simbologias e metáforas, guiando-nos pelo caminho do auto-conhecimento. Suas imagens, cores e símbolos possuem uma significação que juntas, dão ao consulente uma visão geral do que a carta significa.
- Compreendo. – Verne assentiu, enquanto Chax balançava sua cauda de um lado ao outro, inquieto, curioso.
[...]
– Meu querido, com você farei o método de leitura da Cruz Céltica e usarei apenas os Arcanos Maiores, suficientes o bastante.
A vidente embaralhou vinte e duas cartas e as colocou sobre a mesa, viradas para baixo. Chax olhava atentamente para elas, cada vez mais inquieto. Verne não compreendia as atitudes de seu AI.
- Agora escolha 10 dessas cartas, meu querido.
Verne escolheu, entregou a ela e permaneceu sóbrio, enquanto Carmecita distribuía o baralho de forma aleatória. Primeiramente ela colocou seis cartas do lado esquerdo da mesa, na vertical. Uma no topo, outra no centro, uma de cada lado da central, outra abaixo e a última na horizontal sobre a carta do meio. As outras quatro cartas foram colocadas no lado direito da mesa, uma de baixo da outra. Ela lhe explicou qual seria a ordem de retirada de cada carta e que deveriam ser reveladas com a imagem para cima, na qual seria explicada a interpretação.
- A primeira é a carta Significadora. – disse Carmecita. – Ela reflete a situação interna e externa na qual você se encontra no momento, meu querido.
Verne retirou a carta do meio, ilustrada com uma bela jovem nua, olhando para uma caixa aberta, onde várias libélulas saiam voando e no destaque uma estrela brilhosa de seis pontas. Ele revelou a carta “A Estrela”. Os olhos da vidente pareciam interessantes à revelação.
- Esta é Pandora e a Estrela da Esperança. – disse Carmecita. – A despeito de suas frustrações, desapontamento e perdas, essa carta diz que você ainda tem forças para se agarrar ao sentido da vida e ao futuro, que poderá superar a infelicidade do passado. “A Estrela” é uma carta de espera, meu querido. Uma tênue luz que brilha e nos guia, porém não dissipa a escuridão da vida. – ela sorria para ele. – A esperança é algo profundo e misterioso, pois parece transcender qualquer experiência que a vida tenha lhe oferecido sob a forma de uma catástrofe.
[...]
- “O Mundo”. – disse a vidente. – Este é Hermafrodito, filho de Hermes e Afrodite. Ele é a imagem da experiência de sermos inteiros, completos. Masculino e feminino representam muito mais do que simples identificações dos órgãos genitais, meu querido. São as grandes polaridades que circundam todos os opostos da vida. As qualidades do cuidado maternal e do código de ética paternal, da intuição e da expressão física, da mente e do sentimento, do relacionamento e da solidez, do conflito e da harmonia, do espírito e da matéria, todos estes opostos que continuamente lutam dentro de nós e que, justamente por causa dessa grande batalha conseguem aperfeiçoar nossa personalidade, estão contidas na carta “O Mundo”, unidos, convivendo harmonicamente dentro do grande círculo da Serpente que simboliza a vida eterna! – por uma questão de segundos, Verne e Chax atingiram a mesma sintonia. – Essa carta implica num período de realizações e de totalização, meu querido. É o momento de sucesso, da finalização positiva de um processo ou de uma questão. É o instante de você alcançar um objetivo e de atingir um ideal pelo qual lutou durante muito tempo.
[...]

Enfim, estes são alguns trechos. Lembrando que os trechos assim estão espalhados e possuem muitos pulos entre si.
O capítulo é bem mais complexo e extenso. Isso é apenas uma amostra para que vocês possam refletir mais sobre a obra e discutir sobre.
Salientando que: o nono capítulo é tão, mas tão importante, que reflitirá, de uma forma ou de outra, nos demais livros. A hexalogia toda terá base neste capítulo.

Boa leitura e que as sombras os acompanhem.

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

1º Teaser-Pôster OFICIAL



Pessoal, eu prometi dias atrás e eis aqui o primeiro Teaser-Pôster OFICIAL de NECRÓPOLIS.

Entenderam alguma coisa da imagem?? Alguma especulação sobre?
Bom, deixem suas respostas aí nos comentários ou lá na comu.

Por enquanto é isso. Logo, mais novidades.
Fui

quarta-feira, 26 de setembro de 2007

Esboços da Capa



Lembram quando eu disse que o capista de NECRÓPOLIS havia perdido a arte que tinha feito tempos atrás?
Pois bem, o nome desse (outro) ilustrador é JÃO Catena e ele resolveu fazer a ilustra da capa novamente - pra minha alegria, é claro!
E dessa vez ele retomou com fôlego redobrado e o resultado tem o satisfeito mais do que antes. Ou seja, esperem por algo melhor ainda!!

JÃO já é membro da comu de NP desde o início e eu o convidei pra ilustrar a capa do livro no começo deste ano. Desde então, com o seu devido tempo, ele tem se empenhado muito e dentro em breve veremos o resultado disso tudo!
Esse ilustrador já fez trampos pra Disney e o mercado europeu, sem contar diversos outros trabalhos, já que ele está há anos nesse ramo - e convenhamos, um talento e tanto! Duvidam??
Então vejam aqui: http://katena.deviantart.com

Essa semana ele me enviou duas propostas das ilustras pra capa. De começo, eu enviei um esboço a ele, relatando como eu queria exatamente a composição e os personagens e, não nego, o JÃO tem me surpreendido e muito com suas idéias de acréscimo.
No topo do post, vocês podem ver o que será o cenário de fundo da ilustra.
Nas imagens abaixo, vejam as duas propostas da imagem - e sim, eu já fiz a escolha.




Aguardem. Dentro de dias JÃO vai liberar a ilustra finalizada em 100% e eu vou postá-la aqui no blog e também lá na comu!
E podem esperar, nesta capa, por imagens subliminares, dúbias e de significados diversos. Esse é meu estilo. E o traço do JÃO o complemento perfeito e que faltava, para que isto se concretizasse.

Até lá.

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

Ilustrações e afins...



Pessoal, é o seguinte, hoje venho pra falar a respeito
de ilustrações no livro.
Há um mês conheci um cara chamado Leonardo Conceição - ou simplesmente Leo Nankin, um excelente ilustrador!!
Ele faz facul de Designer Gráfico com o Tyago (que trampa comigo lá na editora Escala) e também dá aulas.

Inicialmente ele foi chamado para uns testes de ilustras na revista Leituras da História. Posterior a isso, eu e o Tyago (depois de um pesadelo cinematográfico deste, há alguns anos) decidimos iniciar um projeto que vai culminar num álbum gráfico, ao estilo de Stardust, de Gaiman - em um ano, assim esperamos. O Leo foi nossa primeira escolha e ele topou de imediato assim que leu a prévia do roteiro que desenvolvi, com o auxílio de Tyago.

Nesse meio tempo, eu fiquei matutando idéias diversas a respeito de ilustras para NECRÓPOLIS. Foi até uma coincidência, devo dizer - e muito conveniente pra este momento.
Enquanto eu discutia propostas de ilustradores disponíveis com o editor da CL (logo vocês saberão mais a respeito da publicação) eu também procurava pessoas com um traço específico pra minha obra.
E a encontrei em Leo.

Fiz a proposta pra ele ontem. Hoje ele respondeu e topou.
Estou muito feliz, afinal o cara tem um traço eclético e muito fera, como vocês mesmos podem conferir em seu blog:
www.leonardoconceicao.blogspot.com

Agora gostaria de comentários do pessoal que visita o blog de NP com frequência e também da comunidade. O que acham do traço do Leo? Combina ou não com o tom do livro?

...
Eu sei que isso pode soar arrogante, mas eu prezo sim e
MUITO pela opnião dos meus futuros leitores. E eu quero MESMO a opnião de vocês.
No entanto, independente de positivas ou negativas, o Leo tá nessa. ;)
Tá, eu sei, sou chatinho... :P

Depois dessa, me vou. A reescrita do livro tá cada vez mais tensa.
Fiquem com outras "medusas" do Leo, abaixo.
Até.



terça-feira, 11 de setembro de 2007

Devaneios da Madrugada... (4)



02h05 da madruga e eu já finalizei o quinto e o sexto capítulo e já iniciei o sétimo.
Agora preciso correr contra o tempo, porque BOAS novidades aguardam por NECRÓPOLIS em 2008!
E saibam, o "bicho começa a pegar" AGORA, a partir do capítulo 6!

Pra quem duvida, um trechinho deste capítulo:
(...)
As sombras aumentavam e cobriam, pouco a pouco, o dormitório do jovem Vipero, conforme a madrugada fosse chegando. Durante a noite, a senhora Sophie Lacet havia levado chá com bolachas para os dois, que ainda fingiam orar no quarto. Elói tinha comido todos os biscoitos, os seus e os de Verne, parecia esfomeado. Verne não quis comer e mesmo relutando, acabou por beber alguns goles do chá. A lua estava no centro do céu escuro, coberta por névoas densas e um frio vendaval batia nos galhos das árvores, assobiando o medo.
Verne não sabia ao certo, mas estava perturbado com algo. Chax movia-se de um lado ao outro, inquieto, sua calda abanando. O jovem Vipero não estava bem, seu coração doía pela morte de Victor, seu corpo estava exausto e sua mente confusa. O sono o alcançava e logo deitou em sua cama, com os olhos pesados, porém lutando para não adormecer. Num canto mais escuro do quarto estava Elói, sentado em posição de lótus, olhos cerrados e concentrado, a caixa de lembranças ao lado, com os objetos a mostra. O brilho lunar, refletido pela janela entreaberta, criava um clima sombrio aos pés da cama de Verne. Eram três horas da madrugada quando se ouviu o primeiro barulho.

(...)
Aguardo por comentários abaixo, ok.

Esses dias fiquei sabendo que capa do livro está quase pronta e que as quatro únicas pessoas que a viram na tela de um PC, ficaram maravilhados. Mas meu amigo e ilustrador Jão parece ter "perdido" a ilustra num dos 4 computadores do seu estúdio. Não lembra o nome com que salvou o arquivo (pois tem trabalhos demais e eu sei como funciona a mente de um artista, somos todos insanos :P ), mas está numa busca alucinada pela imagem, para finalizá-la.
Eu também estou na busca de algum ilustrador para as páginas internas do livro, pois quero retratar sutilmente algumas cenas de suma importância na obra. Ainda sim, farei algumas ilustras para preparar os teasers-pôsters do livro. Estou com algumas idéias aqui e acho que ficarão bacanas. Aguardem mais uns dias.

Sobre os teasers-cards que eu havia feito, achei melhor não postar mais no blog. Afinal eles não possuem imagens oficiais do livro - e sim da net - o que pode demonstrar, erroneamente, falta de profissionalismo da minha parte.
O mesmo vale pro slide que fiz pro teaser-trailer do livro. Muitos elogiaram (como pode ser visto no site do Slide), mas também li críticas a respeito de eu usar imagens "não-oficiais". Devo concordar, mesmo sendo um teaser (o que significa que é apenas um "preparativo para o que virá", no caso, o trailer do livro). Mas enfim...
Por isso, da próxima vez que eu for divulgar algo com imagem de NP, será com algo oficial, ok!

De qualquer forma, fiquem com o vídeo que o escritor (e também videomaker) Denis Lenzi fez (sobre a minha idéia do slide) e colocou o YouTube:
http://www.youtube.com/watch?v=5947zO5_kV0
Copiem e colem em seus navegadores pra assistir o vídeo, porque eu sinceramente não consigo criar o link aqui. Quem curtir, comenta aí embaixo também.

Durmam com as fadas, ou com os sátiros. Durmam com quem quiser, ou sós.
As sombras me chamam e eu preciso ir agora.

Ainda essa semana eu venho com boas notícias do livro.
Aguardem e até lá.

domingo, 26 de agosto de 2007

Slide de NECRÓPOLIS

Clique no link do slide para assistir em tela cheia.
Depois que o site se abrir, clique em "tela original" e veja toda montagem feita.


http://www.slide.com/r/staUjY5H2D_w2OYxDC_jWdCK6d2oq-X7?previous_view=TICKER&previous_action=TICKER_ITEM_CLICK&ciid=648518346409713478

sexta-feira, 3 de agosto de 2007

Histórico interessante sobre a Licantropia



Um dos motivos da licantropia no Ocidente estar ligada quase sempre à imagem do lobo reside no fato deste ser o predador mais comum e mais temido na Europa. Como a cultura do Novo Mundo baseou-se em sua maior parte, na cultura européia, a mitologia da mesma foi em grande parte absorvida. A América do Norte ainda teve uma influência maior da figura do lobo, pois lá também existem lobos (o lobo-guará brasileiro não é lobo, mas um tipo de raposa muito grande, cientificamente falando). A própria cultura dos índios norte-americanos tinha os lobos em suas mitologias; fosse como espíritos guardiões (os totens), fosse como monstros devoradores de carne humana (Wendigo), ou mesmo um homem que virava lobo para percorrer grandes distâncias em corrida (o ‘Troca-Peles”).

Acredita-se que os lobos e os homens se enfrentem desde a pré-história. Ironicamente, foi durante esta mesma época (mais precisamente a cerca de 20.000 anos) que o homem domesticou os primeiros animais selvagens, que por sinal foram os lobos, e que mais tarde daria origem aos cães. Aliás, a semelhança genética entre as duas espécies é tamanha que alguns zoólogos sugerem reclassificá-los como uma mesma espécie. Há relatos confiáveis de culturas antigas, como os gregos e os vikings, de alcatéias que atacavam e devoravam pessoas, principalmente crianças e indivíduos muito velhos ou debilitados. Relatórios de guerras e caçadas ocorridas por toda a Europa dentre os séculos XV a XVIII descrevem ataques de lobos a indivíduos solitários ou pequenos grupos de viajantes, especialmente durante invernos rigorosos. Tudo isso fez com que muitos pesquisadores, como o psicólogo junguiano Robert Eisler, desenvolvessem a teoria de uma “memória ancestral” da humanidade com relação à figura do lobo (desde a Idade da Pedra), o que explicaria o temor e paradoxal fascínio que a mesma exerce.

Os lobos de hoje em dia descendem de gerações que aprenderam a temer as armas de fogo que surgiram mais tarde e por isso passaram a evitar os seres humanos, que já não são mais presas tão fáceis quanto eram para os seus ancestrais, nos primórdios da civilização.
Talvez o mais interessante seja o fato de que a figura do lobisomem como um monstro bípede e híbrido seja algo relativamente recente. O termo werewolve (o prefixo wer é de origem teutônica) foi designado originalmente para se referir aos lobos que se alimentavam de carne humana. Os países de língua francesa cunharam o termo loup-garou para se referir aos mesmos animais. Provavelmente, a primeira referência a um homem que se transformou em lobo está na mitologia grega: quando Zeus, enfurecido com o criado imortal Licaon por ter servido carne humana aos deuses do Olimpo, o transformou em lobo e assim o manteve por nove anos. A mais antiga referência literária ocidental a um homem que virava lobo também vem da Grécia Antiga (Satyricon, século I DC). A figura do híbrido homem-lobo só começou a aparecer na cultura européia por volta do século XI.

A figura do lobo como principal licantropo só está presente na Europa e nas terras por ela colonizada. Em outras partes do mundo o mito de pessoas que se transforma em animais ou em seres híbridos de animais está relacionado a outras espécies, embora quase sempre grandes predadores. Felinos, ursos e pássaros estão entre os mais comuns ao redor do mundo, especialmente no Oriente. Os antigos polinésios acreditavam em homens que se transformavam em tubarões. Na África, além dos felinos, aparecem hienas e crocodilos. E no Brasil temos vários tipos diferentes, ainda que hoje estejam restritos quase que só aos povos nativos, como os homens-jacarés e “o boto” (o macho se transformaria em homem para seduzir mulheres e a fêmea – bem menos relatada - em mulher para seduzir homens).



PS: os lycantropos são apenas citados no primeiro volume de NP. no segundo romance, aguardem por um destaque e tanto!
Fui